O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, fez um alerta direto nesta quarta-feira, 2. Para a França, se as potências globais não alcançarem rapidamente um novo acordo com o Irã sobre seu programa nuclear, um confronto militar se tornará inevitável.
A declaração foi feita depois de uma reunião sigilosa convocada pelo presidente Emmanuel Macron, com a presença de ministros e especialistas de alto escalão. O encontro reforça a crescente preocupação da França e de seus aliados europeus com o avanço do programa nuclear iraniano e o colapso do Acordo de Viena de 2015.
Durante audiência parlamentar, Barrot afirmou que a “janela de oportunidade é estreita” e que o tempo para uma solução diplomática é curto. O objetivo da Europa é alcançar um novo acordo com o Irã até agosto, e finalizar as negociações antes de outubro de 2025, quando expiram as sanções da ONU previstas no pacto anterior.
“Temos apenas alguns meses até a expiração deste acordo (de 2015)”, disse Barrot. “Em caso de fracasso, um confronto militar pareceria quase inevitável.”
As potências europeias, lideradas por França, Reino Unido e Alemanha, querem limitar o enriquecimento de urânio por parte do regime iraniano. Desde a retirada dos Estados Unidos do acordo original, em 2018, Teerã ampliou seus estoques com pureza físsil muito superior à necessária para fins civis — o que aumenta o temor sobre o uso militar do material.
Segundo fontes diplomáticas, cresce o temor de que Estados Unidos e Israel lancem ataques contra as instalações nucleares do Irã, caso não haja avanço nas negociações. O envio de mais aviões de guerra ao Oriente Médio, anunciado pelo Pentágono na terça-feira, é interpretado como sinal de preparação para um possível confronto direto.
O contexto inclui também os recentes bombardeios contra os houthis no Iêmen, apoiados por Teerã. A escalada militar na região pode abrir caminho para uma ofensiva mais ampla.
Nesta quinta-feira, 3, o ministro das Relações Exteriores de Israel estará em Paris para discutir o impasse com líderes franceses. Também está previsto um encontro entre os chanceleres de França, Reino Unido, Alemanha e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante a reunião ministerial da Otan em Bruxelas.
Além disso, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar o regime iraniano. No domingo, afirmou que, caso Teerã não aceite um novo acordo, enfrentará bombardeios e novas sanções econômicas. A declaração reacende as tensões entre os dois países e sinaliza um possível endurecimento da política externa norte-americana, mesmo fora do período eleitoral.
Com o acordo nuclear de 2015 enfraquecido e sem garantias jurídicas a partir de outubro de 2025, as potências europeias aceleram esforços para impedir que o Irã ultrapasse o ponto de não retorno. Reuniões técnicas têm sido conduzidas em paralelo, mas sem grandes avanços públicos.
Caso a diplomacia fracasse, analistas temem que o próximo passo seja uma ação militar preventiva — o que poderia desencadear uma nova guerra no Oriente Médio.
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