É possível mensurar qual é o impacto e as consequências de bilhões de dólares vindos de países com regimes notoriamente autoritários e inimigos históricos dos Estados Unidos — como China, Rússia, Venezuela e Iêmen — sendo despejados em universidades americanas, que estão entre as mais influentes do mundo?
Um novo relatório divulgado pela organização sem fins lucrativos, Americans for Public Trust, destaca a quantidade “assombrosa” de dinheiro proveniente dessas nações estrangeiras transferido para diversas instituições de ensino superior dos EUA: a cifra chega a US$ 795 milhões.
As implicações desse financiamento acendem um alerta aos Estados Unidos sobre segurança nacional, integridade das pesquisas acadêmicas e possível manipulação de influências externas.
De acordo com o estudo, que analisou dados de doações e contratos ao longo de décadas, cerca de US$ 60 bilhões foram canalizados para universidades americanas, com US$ 20 bilhões destinados a algumas das instituições mais prestigiadas dos EUA, como Harvard, Yale e Stanford.
Esse fluxo financeiro não ocorre sem preocupações. “É alarmante que muitas dessas escolas também sejam universidades de pesquisa de ponta que lidam com informações confidenciais e propriedade intelectual”, aponta o estudo.
A crescente influência de nações estrangeiras nas universidades pode criar uma brecha para a espionagem, manipulação de informações e a propagação de ideologias contrárias aos interesses dos EUA.
O financiamento externo para as universidades dos EUA não é um fenômeno novo, mas a magnitude e a origem dessas doações têm levantado questões sobre a transparência e os impactos dessas parcerias.
O relatório afirma que as escolas que recebem dinheiro de países como o Catar e a China podem estar permitindo a disseminação de propaganda antiamericana e, em casos mais graves, facilitando o roubo de propriedade intelectual e informações sensíveis.
Em 2024, por exemplo, universidades como Harvard e Cornell, ambas da Ivy League, receberam consideráveis doações do Catar.
Após a invasão de Israel pelo grupo terrorista Hamas, essas instituições viram um aumento significativo em retórica antissemita em seus campi, o que gerou um debate sobre a responsabilidade das universidades em controlar a influência de doadores estrangeiros.
Uma das maiores preocupações relatadas é o fluxo de dinheiro da China para as universidades americanas.
“Os efeitos do dinheiro que flui para os campi universitários da China são perigosos e generalizados. (…) Em 2024, a China despejou mais de US$ 175 bilhões em escolas dos EUA, e a amplitude histórica desse vasto empreendimento não pode ser subestimada; a Americans for Public Trust já descobriu anteriormente quase US$ 130 milhões em financiamento chinês somente para a Ivy League University of Pennsylvania em um período de aproximadamente cinco anos”, detalha o relatório.
O apontamento destaca que as universidades americanas, em sua busca por recursos financeiros, podem estar colocando em risco a integridade das suas pesquisas e permitindo que governos estrangeiros obtenham vantagens competitivas sobre os EUA.
Além disso, o montante de dinheiro chinês levanta questionamentos sobre o impacto desse financiamento em áreas estratégicas como tecnologia e pesquisa científica, bem como suspeitas sobre a possibilidade de espionagem acadêmica e transferência indevida de conhecimento.
Outro ponto levantado no estudo é a falha das universidades em seguir as regulamentações federais sobre fundos estrangeiros. A Lei de Educação Superior de 1965 exige das universidades o reporte de todas as doações estrangeiras superiores a US$ 250.000, mas investigações revelam que muitas dessas instituições falham em cumprir essa exigência.
A falta de fiscalização e a subnotificação das doações em muitos casos agravam esse cenário, permitindo que esses fluxos de dinheiro ocorram sem a devida supervisão.
De acordo com um relatório do Departamento de Educação dos EUA, mais de 70% das universidades não cumprem adequadamente a lei, e em muitos casos, as doações estrangeiras sequer são reportadas. Essas falhas na fiscalização criam um vácuo onde o dinheiro estrangeiro pode ser canalizado para escolas sem o devido acompanhamento.
Como resultado, é possível que atores estrangeiros estejam usando esses fundos para adquirir influência sobre as políticas acadêmicas, alterar currículos e até mesmo manipular estudantes e pesquisadores.
Diante da crescente preocupação com a influência estrangeira nas universidades, o relatório faz um apelo pela aprovação do Deterrent Act, uma legislação que visa reforçar a fiscalização e impedir que “maus atores” utilizem o sistema educacional dos EUA para fins espúrios.
Essa lei buscaria impedir que nações hostis ao governo americano financiassem pesquisas, ou campanhas de propaganda dentro das universidades, além de ajudar a proteger informações sensíveis de espionagem.
Enquanto o sistema educacional americano continua a ser um dos mais atraentes para investidores estrangeiros, a falta de regulamentação e fiscalização provoca riscos não apenas à segurança nacional, mas também à qualidade e integridade do ensino superior.
O relatório ressalta a urgência de medidas mais rigorosas para garantir que as universidades permaneçam livres da influência de governos estrangeiros, que possam comprometer a confiança nas pesquisas e na educação produzida no país.
Como apontado no estudo, o sistema de ensino superior dos EUA deve ser protegido não só contra ameaças externas, mas também contra os riscos de infiltração ideológica e de espionagem corporativa que o dinheiro estrangeiro pode trazer.
O relatório finaliza com a recomendação de que medidas de proteção sejam tomadas com urgência para salvaguardar a educação superior americana de influências externas perigosas.
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