Se você é um brasileiro que passa tempo na internet, dificilmente escapou de um anúncio de apostas online – seja em vídeos, banners ou posts nas redes sociais.
O fenômeno das “bets” tomou conta do país, a ponto de superar o tráfego de gigantes como WhatsApp, Instagram, YouTube e TikTok.
Em janeiro de 2025, sites registrados com o domínio “bet.br” registraram impressionantes 1,7 bilhão de acessos, tornando-se a segunda maior fonte de tráfego online no Brasil, atrás apenas do Google, segundo o Aposta Legal.
Esse boom, alimentado pela regulamentação de 2018 e pela concessão de 153 licenças, reflete uma nova febre digital.
E os números impressionam ainda mais: os brasileiros passam, em média, 13 minutos por visita nessas plataformas – mais que o dobro do tempo gasto no Google (10 minutos e 47 segundos).
Por trás desse sucesso econômico, porém, esconde-se um custo social alarmante.
O setor, que movimentou entre R$ 60 e R$ 100 bilhões em 2023 (cerca de 1% do PIB, segundo a Strategy&Brasil), traz riscos sérios, especialmente o vício.
A facilidade de acesso via smartphones e o design viciante de algumas plataformas têm gerado um aumento preocupante na dependência.
Estudos recentes mostram que mais de 85% dos apostadores online estão endividados, conforme o Instituto Locomotiva, enquanto a Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que 1,3 milhão de brasileiros se tornaram inadimplentes por causa das apostas.
Uma pesquisa do Serasa reforça a gravidade: 57% desses endividados não tinham dívidas antes de começar a jogar.
Os mais vulneráveis são os mais afetados.
Dados do Datafolha indicam que 20% das pessoas de baixa renda apostam mensalmente, comprometendo cerca de 20% do salário mínimo.
Em agosto de 2024, beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em apostas, grande parte via PIX, segundo o Banco Central.
Esse comportamento reduz a poupança familiar em 14% e eleva a inadimplência.
Além disso, cerca de 2 milhões de brasileiros sofrem de ludopatia, um transtorno de compulsão por apostas que afeta profundamente a saúde mental.
No campo econômico, o mercado de apostas gerou R$ 68,2 bilhões nos 12 meses até junho de 2024, com um gasto líquido de R$ 23,9 bilhões após os prêmios.
Foram 24 milhões de apostadores entre janeiro e agosto de 2024, segundo o Banco Central, mas nem tudo são lucros.
A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), projeta que o setor pode reduzir o PIB em até 0,3%, devido ao impacto do endividamento.
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