O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou visível irritação nesta quarta-feira (12) ao constatar a baixa participação de representantes da indústria em um evento realizado no Palácio do Planalto. A cerimônia, que deveria marcar um ano de investimentos na indústria de Defesa, foi prejudicada pela ausência de empresários e pela necessidade de reposicionamento de cadeiras para minimizar a percepção de esvaziamento.
De acordo com o portal UOL, mais de dez cadeiras estavam desocupadas na mesa principal, o que obrigou o cerimonial a reorganizar os convidados presentes. A expectativa era de maior participação de membros da iniciativa privada, mas isso não se concretizou, deixando o ambiente constrangedor.
A ausência incomodou Lula, que decidiu cancelar seu discurso habitual. Segundo fontes próximas ao presidente, ele chamou o auxiliar Fernando Igreja e comunicou que não faria sua fala. Pouco depois, o evento foi encerrado sem as palavras finais do presidente, um ato incomum em compromissos dessa natureza.
Após o incidente, Lula cancelou os compromissos restantes no Planalto, que incluíam uma reunião com ministros e um evento com jovens cientistas. A Secretaria de Comunicação (Secom) alegou que o cancelamento foi devido à necessidade de organizar as viagens presidenciais ao Amapá e ao Pará, previstas para os próximos dias.
Mesmo assim, Lula deixou o Palácio do Planalto por volta das 14h35 e seguiu para a Granja do Torto, sua residência oficial. Antes disso, teve um encontro com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), onde discutiram investimentos do PAC no estado, incluindo o projeto do túnel Santos-Guarujá.
Aliados apontam que o descontentamento de Lula com o evento esvaziado não foi um episódio isolado. A ausência de empresários representa um problema maior para o governo, que enfrenta dificuldades em estabelecer um diálogo mais amplo com o setor produtivo e a sociedade.
O episódio também intensificou o debate interno sobre a agenda presidencial. O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, tem sugerido que Lula participe de menos eventos públicos, priorizando aparições midiáticas e entrevistas que repercutam de forma mais positiva na opinião pública.