Enquanto o governo federal do Brasil adota um discurso cada vez mais crítico em relação à administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as Forças Armadas brasileiras parecem seguir uma trajetória distinta, reforçando os laços com o Exército norte-americano. O Exército dos Estados Unidos, por sua vez, demonstra interesse em fortalecer essa relação e deixar claro sempre que tem oportunidade, que independentemente das lideranças que assumam cargos no Executivo brasileiro, a parceria com os EUA permanecerá inalterada, pelo menos no campo da defesa.
O site oficial do Exército dos EUA publicou, em 25 de janeiro, um artigo inteiro sobre a atuação do Coronel brasileiro Sergio Reis Matos como oficial de ligação entre os dois países. O texto destaca que Matos tem uma presença marcante na cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos.
“O impacto de Matos se estendeu muito além de suas funções oficiais. Por meio de seu trabalho, ele buscou fortalecer o relacionamento entre o Brasil e os Estados Unidos, garantindo um futuro colaborativo enraizado em valores compartilhados e respeito mútuo.”
Desde julho de 2023, Matos atua como Oficial de Ligação da Nação Parceira (PNLO) junto ao Exército dos Estados Unidos, sendo um dos quatro representantes de exércitos latino-americanos no Comando Sul do Exército dos EUA. Sua missão é fortalecer a parceria histórica entre Brasil e Estados Unidos, promovendo a interoperabilidade militar e a realização de operações conjuntas.
O alinhamento militar com os Estados Unidos se mantém em um contexto político peculiar. Enquanto o governo brasileiro mantém uma postura crítica em relação a Trump e busca se distanciar de sua retórica, os militares brasileiros, por outro lado, seguem aprofundando laços institucionais e operacionais com as forças armadas dos EUA, que, durante a gestão Trump, tendem a ter um papel central na defesa dos interesses dos Estados Unidos no hemisfério sul.
Para Matos, essa colaboração reforça a estabilidade regional e os interesses estratégicos compartilhados entre os dois países.
“É imperativo reconhecer os 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Minha posição aqui demonstra o compromisso em aprimorar essa relação histórica e aumentar a interoperabilidade entre nossos exércitos”, afirmou o coronel.
Em um ambiente político aparentemente adverso, o crescente intercâmbio militar entre Brasil e Estados Unidos, com destaque para a atuação do Coronel Matos, evidencia um paradoxo interessante na política externa e de defesa do Brasil, uma vez que, no momento, a diplomacia brasileira tem adotado um tom de distanciamento e desconfiança em relação a Donald Trump.
Há poucos dias, em meio a um cenário em que os EUA adotam medidas econômicas consideradas duras em relação a alguns países, o atual presidente brasileiro fez declarações fortes sobre Trump:
“É importante que a gente não tenha preocupação com as bravatas do Trump. Que a gente discuta o que é importante para nós, o que é importante para o mundo”, disse Lula.
Robson Augusto – Revista Sociedade Militar