O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (4) que o Brasil adotará medidas de reciprocidade caso os Estados Unidos imponham tarifas sobre produtos brasileiros, como parte do novo pacote comercial anunciado por Donald Trump.
“É o mínimo de defesa, o governo merece utilizar a lei da reciprocidade. Você tem na Organização Mundial do Comércio uma permissão para que possa taxar qualquer produto até 35%. Para nós, o que seria importante seria os EUA baixar a taxação e nós baixarmos a taxação. Mas se ele e qualquer país aumentar a taxação do Brasil, nós iremos taxá-los também. Isso é simples e muito democrático”, declarou Lula em entrevista a rádios mineiras.
Na terça-feira (3), Trump cumpriu sua promessa de campanha e aumentou as tarifas comerciais sobre Canadá, México e China. A sobretaxa para os dois primeiros países foi suspensa temporariamente após um acordo, mas o presidente americano já sinalizou que também pretende atingir países da União Europeia e do BRICS, incluindo o Brasil.
Além disso, Trump reiterou que os EUA não permitirão que os países do BRICS substituam o dólar no comércio internacional e ameaçou tarifas de até 100% contra qualquer país que apoiar uma alternativa à moeda americana. “Não há chance de que o BRICS substitua o dólar dos EUA no comércio internacional, ou em qualquer outro lugar, e qualquer país que tentar deve dizer olá para as tarifas e adeus para a América”, escreveu o presidente na rede Truth Social.
Lula também criticou as recentes declarações de Trump sobre um possível controle americano da Faixa de Gaza no pós-guerra. O presidente brasileiro classificou a proposta como irrealista e questionou a legitimidade dos EUA para liderar a reconstrução do território palestino.
“Estamos vivendo um momento em que quanto mais coisas irreais você falar, mais você tem destaque na mídia internacional. Não tem sentido o presidente dos Estados Unidos se reunir com o presidente de Israel e falar que vai ocupar Gaza. Os palestinos vão para onde? (…) O que aconteceu em Gaza foi um genocídio e eu sinceramente não sei se os EUA, que fazem parte de tudo isso, seriam o país para tentar cuidar de Gaza”, disse Lula.
Na terça-feira (3), ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, Trump sugeriu realocar permanentemente os palestinos que vivem em Gaza para outros países e reafirmou o compromisso de eliminar o Hamas.
“Os EUA tomarão conta da Faixa de Gaza e nós também faremos um trabalho ali. No que diz respeito a Gaza, faremos o que for necessário. Se for necessário [enviar tropas], faremos isso”, declarou Trump.