O Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 1,8 ponto em janeiro, atingindo 94,8 pontos, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). Esse foi o terceiro mês consecutivo de queda, refletindo uma piora na percepção dos empresários tanto sobre o presente quanto sobre o futuro.
A retração no índice reforça sinais de uma possível desaceleração econômica no Brasil, após um final de ano de demanda aquecida.
A confiança dos empresários é um dos principais termômetros para a economia, pois reflete as expectativas dos setores produtivos em relação ao futuro. Quando o ICE cai, geralmente indica incertezas e menor propensão a investimentos, o que pode impactar o crescimento do país nos próximos meses.
De acordo com a FGV IBRE, a queda na confiança reflete tanto a piora na avaliação do momento atual da economia quanto a diminuição das expectativas para os próximos meses.
O Índice de Expectativas Empresariais (IE-E), que mede as projeções para os próximos seis meses, caiu 1,3 ponto, atingindo 93,2 pontos, o menor nível desde dezembro de 2023.
Já o Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E), que mede a percepção sobre a economia no presente, recuou 2,4 pontos, chegando a 96,3 pontos.
Essa queda foi a mais intensa desde janeiro de 2022 devido à perda de fôlego da demanda, que vinha aquecida ao longo do segundo semestre de 2024. Os indicadores específicos de demanda e de situação dos negócios recuaram 3,4 e 1,3 pontos, respectivamente, reforçando a tendência de desaceleração.
O ICE é calculado com base na confiança dos empresários dos quatro principais setores da economia: Indústria, Comércio, Serviços e Construção. Todos apresentaram queda em janeiro:
— Comércio: registrou a maior queda, de 2,8 pontos, fechando em 89,3 pontos;
— Serviços: recuou 2,5 pontos, chegando a 91,8 pontos;
— Construção: teve retração de 1,9 ponto, atingindo 94,9 pontos;
— Indústria: caiu 1,6 ponto, mas manteve o maior nível de confiança entre os setores, com 98,4 pontos.
A queda na confiança do comércio e do setor de serviços, que vinha aquecido no final de 2024, segundo a FGV, é causada pela queda na demanda devido à taxa Selic alta e à inflação crescente após meses de forte demanda.