O IBESPE (Instituto de Planejamento Estratégico) divulgou a pesquisa sobre a avaliação do Governo Federal e os dados mostram claramente a deterioração da confiança da população em relação ao atual governo.
A pesquisa foi realizada de 04 a 05 de dezembro de 2024 e foram entrevistas 1.003 pessoas de todo o país. A margem de erro amostral é de 3,1 pontos percentuais para cima ou para baixo, considerando um grau de confiança de 95%.
Avaliação geral:
O resultado geral mostra que para 46,7% consideraram o governo péssimo ou ruim, regular 18,4% e 31% ótimo/bom, Não souberam ou não responderam corresponde a 4%.
A condição de regular é o meio termo e não há como classificar essa posição como positiva ou negativa em termos de avaliação, embora para o Instituto, por definição e metodologia, a condição regular é positiva para o governo.
Considerando ótimo e bom como positivo e ruim e péssimo como negativo, observamos que o grupo de pessoas que rejeitam o governo é 2,5 maior que o grupo de pessoas que aprovam o atual governo.
A Tendência
O gráfico abaixo mostra a tendência de deterioração do Governo Federal, o grupo pessoas que reprovam o governo vem em uma tendência de crescimento e detrimento ao grupo de pessoas que aprovam o mesmo.
A aprovação ou rejeição: Como são esses grupos?
A pesquisa mostra muitos dados interessares e entre eles destaco:
A faixa etária;
Grau de instrução;
Religião e
IDG (indíce de dependência do governo)
1. Faixa Etária
A amostra revelou que a maior rejeição concentra-se na faixa de 25 a 35 anos com 56,3% e a aprovação na faixa de 60 anos ou mais com 50,9%.
Nitidamente os dois extremos são aqueles em que há maior aprovação do governo, como mostra o gráfico abaixo.
A faixa entre 16 e 24 anos, são em sua maioria, estudantes ou pessoas em início de carreira e que apresentam um empate técnico entre aprovação e rejeição, porém a aprovação é a segunda maior entre os grupos etários.
Observe que no grupo imediatamente acima (25 a 34 anos) encontramos a maior rejeição e a menor aprovação. Portanto existe uma mudança brusca de percepção, o que podemos inferir que a aprovação do primeiro grupo (16 a 24 anos) vem dos adolescentes que estão na fase escolar.
A faixa de 60 anos ou mais mostra uma aprovação maior entre todos os grupos etários.
Chamo sua atenção para a tendência de aumento da aprovação do governo no avanço das faixas etárias, excluindo-se a primeira.
2. Grau de Instrução
Nitidamente o grau de instrução é um fator que muda a percepção das pessoas em relação a avaliação do Governo Federal.
Quanto maior o grau de instrução, maior a rejeição ao governo atual e observa-se que entre o ensino médio e o superior os valores não tem uma mudança significativa, mostrando que a partir do ensino médio as pessoas tendem a ter a mesma visão do governo.
3. Religião.
No posicionamento religioso, notadamente os evangélicos são os mais críticos ao atual governo. Já para os católicos há um empate entre aprovação e rejeição. Os católicos e evangélicos são cristãos, mas tem posicionamentos diferentes o que é mostrado nessa pesquisa.
Já àqueles que são de outra religião, aprovam o governos atual e aquele que não tem religião ou são ateus, rejeitam o atual governo com índices se aproximando dos evangélicos.
4. IDG (Índice de Dependência do Governo)
Neste item, podemos observar que quanto menos dependente do governo é a pessoa, maior a rejeição que ela expressa por esse atual governo.
Os programas sociais, como LOAS, Aposentadorias, Bolsa Família e etc, podem contribuir para a percepção de aprovação do governo. Esse grupo de pessoas são de uma faixa etária mais avançada, ver item 1, mas também podemos citar o atual programa pé-de-meia para os jovens, cuja faixa etária mostra uma boa aprovação do governo. (Ver item 1).
A pesquisa possui muitos itens para análise e aqui reportei alguns. Toda a pesquisa você encontra no link abaixo.
AVALIAÇÃO GOVERNO FEDERAL_2024_12_CATI (1).pdf
Paulo S. Capeleti
Fonte: IBESPE